sexta-feira, 25 de abril de 2014

UM GESTO DE COMPREENSÃO

A classe de aula estava inquieta por causa do novo aluno. Desde o momento em que tinha chegado tomou seu acento e lá permaneceu sem falar com ninguém. Os colegas o olhavam com estranheza e cochichavam entre si. A professora buscava acalmar os comentários para que o novo aluno não se sentisse mal mediante a reação das outras crianças.

Estava quase na hora do intervalo, e na classe a professora propôs que os alunos lessem alternadamente um texto do livro de Português. Houve um estrondo de carteiras quando o novato tomou a leitura, para espanto da professora. As outras crianças queriam assistir seu desempenho, e bruscamente se viraram para observá-lo.

Risos e cochichos tomaram a sala. Com dificuldade o menino novato lia os parágrafos e a cada erro que cometia se abaixava mais um pouco na cadeira, sentindo um constrangimento sem tamanho.

Não faltaram broncas para a turma por parte da professora, que foi interrompida pelo sinal do intervalo e a multidão de alunos apressados para tomarem o lanche. E no caminho, debochavam do desempenho do novo colega. – É um burro mesmo, um deles falou mais alto.

O aluno novo baixou os olhos e fez força para não chorar. A professora tentou consolá-lo dizendo que não tinha problema ele ter dificuldades na leitura ou estar nervoso naquele momento por ser o primeiro dia de aula, pois ele ia aprender e melhorar.

Só quando a professora saiu da classe ele pôde ver que não estava sozinho. Um menino do outro lado da classe o encarava. Ele estranhou. Agora caminhava em sua direção. Parecia vir em paz.
- Eu sei por que você não conseguiu ler o texto.

O novato estalou os olhos com a declaração daquele menino, e ficou ainda mais surpreso ao vê-lo levar as mãos ao rosto, tirar seus óculos e estendê-los em sua direção.

- Se tivesse pedido, eu teria te emprestado. Eu também vejo as palavras embaçadas e misturadas quando tento ler sem os óculos.

Imediatamente um sorriso de alívio e gratidão surgiu no rosto do aluno novo, contagiando o seu mais novo amigo que lhe retribuiu o sorriso sem esforço. Nem fazia ideia de como seu gesto estava sendo importante para o menino novato; todo o tempo ele tinha ficado constrangido pela falta dos óculos que acabou por esquecer em casa na pressa de não perder o horário da escola.
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Que coisa valiosa é a compreensão! Um pequeno momento com ela causa impactos positivos com dimensões futuras e eternas. Mas infelizmente, é tão pouco oferecida! Vive sufocada no interior dos que só se importam com seus próprios prazeres.
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Quantas pessoas ao nosso redor só necessitam de um pouco de compreensão para progredirem, se transformarem, saírem do lugar ou da dor em que se estacionaram… Como tem sido nosso desempenho para com elas? Quem sabe até nós estejamos precisando da compreensão dos que vivem ao nosso lado, e tristemente só temos encontrado o oposto.

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