segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ENTRANDO PELAS PORTAS

Dos mais básicos aos mais avançados usuários da tecnologia digital, quantos têm condições de pagar o valor dos softwares necessários ao seu uso? Citando alguns, a começar pelo sistema operacional, quantos dispõem de R$800,00 para comprar o Windows 10? Quantos dispõem de R$794,00 para comprar uma licença do Camtasia? Quantos tem na conta R$1.400,00 para pagar pelo Sony Vegas?

Portanto, é uma tentação irresistível poder ter estes programas funcionando em nosso computador como se fossem autênticos a um custo zero. Formas de burlar sistemas e quebrar códigos são criados constantemente para que isto seja possível. 

Durante muitos anos até mesmo as igrejas tinham seus computadores funcionando com sistemas operacionais e outros programas ativados de forma ilegal. Sou usuário de computador há mais ou menos quinze anos e fiz uso de muitos programas com ativação ilegal.

Quantas vezes, ao formatar meu computador e reinstalar o sistema operacional, segui a instrução: “instale com a internet desligada” para que a Microsoft não detecte a instalação. E em determinado momento, é exigido uma conta da Microsoft. Mesmo que eu tenha uma conta, não quero que ela seja solicitada. Tenho que entrar clandestinamente, depois ativar o sistema para que ele se comporte como se fosse autêntico. Esta é a experiência de milhares de pessoas que usam o sistema da Microsoft.

O ano de 2016 foi o ano em que comecei a me questionar e orar pedindo a Deus caminhos e condições financeiras para pagar pelos programas que uso. Alguns desenvolvedores baratearam seus produtos, outros propuseram pagamentos mensais a um valor mensal amigável o que me levou a adquirir algumas licenças.

Quando foi sugerido aos usuários do Windows que migrassem para a versão 10, recebi um e-mail da Microsoft oferecendo uptdate gratuito. A oferta foi anunciada na Net no início de 2015 até meados de julho de 2016 para quem quisesse instalá-lo gratuitamente mesmo que usasse uma versão pirata . Imediatamente, entrei no site da Microsoft, fiz o download e instalei no meu computador. Mas não abandonei a preocupação antiga de instalar com a internet desligada para que minha conta não fosse solicitada e depois, como sempre, correr atrás da ativação ilegal.

Para minha feliz surpresa, após instalá-lo verifiquei que ele já estava ativado. Descobri, após algumas formatações e reinstalações, que instalar com a internet ligada e fornecer minha conta, é uma forma de autenticá-lo e informar aos desenvolvedores quem eu sou. 

Imaginemos a cena: eu instalando o sistema de forma legal e autêntica e o dono do outro lado perguntando “quem é você?” e eu, através da minha conta, me identificando. O dono respondendo: “já sei quem é você, pode prosseguir”. Sem peso na consciência, sem culpa termino minha instalação. O dono carimba: “autêntico e ativado”. Agora você tem direito a proteção, atualizações e suporte.

Tudo isto me fez meditar sobre a autenticidade da salvação, sobre nossa identidade em Cristo. Através de Jesus ganhamos o direito de sermos chamados filhos, nos tornamos herdeiros, temos acesso direto a Deus. 

Quando reflito no capítulo 7 de Apocalipse duas passagens me fazem pensar. Primeiro diz que a “salvação pertence ao nosso Deus” e Ele gratuitamente no-la outorgou. Segundo, quando é perguntado “quem são estes que estão vestidos    de branco, e de onde vieram?”. A resposta foi imediata e direta: “estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram suas vestes e a branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso eles estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite no seu santuário”. 

Eles foram identificados pela sua origem e pelas vestes. Não eram clandestinos, ilegais ou invasores; não burlaram sistema nem quebraram códigos. Através de Jesus, entraram pelas portas da frente. Ouviram o “vinde, benditos de meu Pai”. Por isto estavam diante do trono e serviam a Deus.

Quem não instalou o Windows 10 na época em que foi oferecido gratuitamente, até hoje tem que ativá-lo de forma ilegal. Talvez porque não acreditaram na oferta ou porque não quisessem deixar a versão com a qual estavam acostumados. Mas, mais cedo ou mais tarde, temos que migrar. 

Deus nos oferece: “Todos os que tem sede, venham às águas cristalinas. E quem não tem dinheiro nem recursos, vem agora, compra e coma! Vem adquirir vinho e leite sem pagamento e sem custo!”. A oferta é de tão grande generosidade que nos custa acreditar ser verdadeira. 

O Pai não nos quer mais na clandestinidade, passando necessidade de coisas que Ele nos tem para dar com abundância e sem nada exigir a não ser que acreditemos e venhamos.


Vítor de Oliveira

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