segunda-feira, 24 de agosto de 2026

TIÃO E A CACHAÇA

No interior de Minas Gerais, a rotina de um pequeno vilarejo girava em torno do balcão da única venda local. Quase todos os dias, a cena se repetia: o velho Tião entrava de cabeça baixa, gastava as poucas moedas que lhe restavam em uma garrafa de cachaça e voltava para casa cambaleando, deixando para trás uma família que sofria com a escassez de tudo, principalmente de paz. 

Mas a vida dá voltas. Meses se passaram sem que Tião pisasse ali. Quando finalmente cruzou a porta da venda novamente, ele era outro homem. Estava de banho tomado, camisa limpa e trazia um sorriso leve no rosto. No bolso, em vez do desejo pelo álcool, trazia o dinheiro suado do seu trabalho. 

Os antigos companheiros de copo, sentados no canto do balcão, começaram a zombar da sua nova fé. Um deles, o mais cético, desafiou:

— Então agora você virou crente, Tião? Me explica uma coisa: você realmente acredita naquelas histórias da Bíblia? Acredita mesmo que Jesus transformou água em vinho purinho, num piscar de olhos? 

O silêncio tomou conta do recinto. Todos esperavam uma resposta teológica complexa. Tião olhou para o homem com mansidão, ajeitou o chapéu e respondeu:

— Olha, compadre... Se Ele transformou água em vinho lá na Galileia, apesar de eu não estava lá para ver, eu creio. Mas de uma transformação eu sou testemunha viva bem aqui. Na minha casa, Ele pegou a cachaça que destruía a minha vida e a transformou em comida na mesa, em roupa limpa para os meus filhos e na paz que a minha família nunca tinha tido.

      Desconhecido

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