quarta-feira, 31 de julho de 2019

A REJEIÇÃO MAGOA

Quando o candidato Adlai Stevenson perdeu as eleições presidenciais dos EU em 1952, ele disse que se sentia como um homem crescido que tinha acabado de se magoar no dedo do pé. Ele prosseguiu: "Dói demais para rir, mas eu estou velho demais para chorar." 

As crianças pequenas sentem a dor da rejeição quando um dos seus colegas é escolhido para recitar um poema ou cantar uma canção em vez deles. Quando crescerem, alguns deles não vão ser escolhidos para a equipa da universidade. Outros ainda vão ser rejeitados por uma jovem que eles querem namorar. Alguns podem se casar e pode acontecer que o seu companheiro os deixe por outra pessoa. 

Eles podem querer saber por que Deus permitiu que eles fossem rejeitados. Eu não tenho respostas fáceis para pessoas que foram feridas desta maneira. Eu só posso sugerir que eles olhem para Jesus, lembrando como Ele experimentou a rejeição. 

Ele foi desprezado pelos Seus irmãos e os Seus compatriotas. 

Ele ouviu a multidão exigir a Sua crucificação (Mateus 27:23). 

Na cruz, como o titular do nosso pecado, Ele sentiu tal abandono pelo Seu Pai que Ele clamou: "Deus Meu, Deus Meu, por que Me abandonaste?" (v.46). 

Quando sentires a profunda dor da rejeição, lembra-te que Jesus entende como te sentes. Ele te ama. Se acreditaste n'Ele, Ele te aceitou - Ele nunca rejeitará aqueles que confiam n'Ele (João 6:37). 

Fonte: www.gospel.com

NO CÉU




domingo, 28 de julho de 2019

SOMENTE UMA NOITE

Acredito que você já percebeu que nem sempre nosso choro dura somente uma noite, e que, nem sempre a alegria vem pela manhã... 

Há dores físicas que muitas vezes nos acometem por muito tempo, ou mesmo por toda a vida...

E o que dizer de nossas dores psíquicas e emocionais? Elas também podem ser prolongadas e difíceis de tratar... podem necessitar de paciência, coragem, força e muito tempo até que Deus as possa sarar totalmente.

Isso é o que muda tudo. Nosso tempo junto de Deus nos enche de capacidade para lidar com cada uma de nossas dores.

E como é bom não precisar mentir em nossas orações! Como é bom deixar que as máscaras caiam, que as portas e janelas sejam trocadas, que a reforma de nossa casa íntima seja constante e contínua! Davi, rei de Israel, foi perseguido por Saul por longos e difíceis anos, no entanto, isto lhe pareceu ter durado apenas um dia; é dele o Salmo 30, onde lemos: “Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria."

Não há segredos, ritos, promessas, receitas prontas, nem passo a passo a ser seguido, estarmos com o Pai, nosso Pai, pode não amenizar nossa dor instantaneamente, contudo nos consola o coração, nos fortalece a alma e nos preparar existencialmente para o que realmente importa: nossa vida futura. 

“Se temos esperança em Cristo tão somente para esta vida somos os mais dignos de compaixão de todos os homens” (1Coríntios 15,19)

Por: Luciana Rodrigues

OS GRANDES HOMENS


sábado, 27 de julho de 2019

QUEM SERÁ O PRÓXIMO A CHORAR?

Não sabemos quem será o próximo a chorar e a lamentar por causa de seus pecados.

Mas uma coisa sabemos com plena certeza, a saber, que todo aquele que chora será consolado pelo Espírito Santo com a concretização da promessa de ser perdoado e salvo.

Afinal, Jesus não tem dito: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”?

Deus fez esta promessa de curar, guiar e consolar a todos os que chorarem entre os pecadores, por saberem o quanto o pecado entristece o coração do Senhor. 

“Isa 57:18 - Tenho visto os seus caminhos e o sararei; também o guiarei e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos que dele choram.”

Se você ler todo o capitulo de Isaías 57, você verá que esta promessa maravilhosa foi feita a qualquer tipo de pecador, pois até mesmo aqueles que estavam oferecendo seus filhos em sacrifício ao falso deus Moloque, achariam graça e misericórdia diante de Deus caso viessem a se arrepender com profunda tristeza do pecado horrendo que haviam praticado. 

Esta promessa se refere portanto ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual toda e qualquer transgressão tem sido perdoada aos homens que se arrependem. 

Assim, portanto, quem será o próximo a chorar e a lamentar a sua triste condição pecaminosa, para que ache o perdão e a salvação em Jesus? 

Silvio Dutra

O CORAÇÃO LIMPO


sexta-feira, 26 de julho de 2019

VIDA EXEMPLAR

Há alguns anos, o governo comunista da China mandou um escritor escrever uma biografia do missionário Hudson Taylor com o objetivo de torcer os fatos e provocar descrédito no seu trabalho.

Enquanto o autor fazia a sua pesquisa, ficou bastante impressionado com o caráter santo e a vida dedicada de Taylor, concluindo que sua tarefa seria demasiadamente difícil de executar. Mesmo sabendo que estaria arriscando sua vida, colocou de lado sua caneta, abandonou o ateísmo e recebeu o Senhor Jesus como seu Salvador pessoal.

Nosso exemplo, queiramos ou não, influencia a muitos que estão ao nosso redor. Nosso testemunho poderá conduzi-los à eternidade com Deus ou sem Ele. Somos luz para o mundo e essa luz não pode, de maneira alguma, permanecer apagada.

A nossa vida é uma pregação constante e nossos amigos a ouvirão sempre que se encontrarem conosco. Quando Cristo é o principal tema de nosso viver diário, as trevas se dissipam, os escarnecedores se colocam à margem, os indiferentes são motivados, o sol das bênçãos de Deus brilha com mais intensidade.

É grande a nossa responsabilidade e precisamos estar bem conscientes disso. Seria muito bom se, a exemplo de Daniel, ninguém pudesse encontrar coisa alguma de que nos acusar a não ser o fato de vivermos para adorar e glorificar o nome de Cristo. Os acusadores seriam envergonhados, o mundo seria envergonhado, o diabo seria envergonhado, o nome de Jesus seria exaltado, os céus estariam em festa e a felicidade seria total em nossas vidas. Se alguém buscasse motivos em sua vida para desmoralizá-la, o que encontraria? Muita coisa errada ou apenas o reconhecimento de que você realmente tem uma vida exemplar?

ORAÇÃO DO PAI NOSSO


quinta-feira, 25 de julho de 2019

SORRIA SEMPRE

Jó 8:21 - Até que de riso te encha a boca, e os teus lábios de júbilo.

O Sorriso ajuda a dar um formosura ao rosto, mesmo a quem não é belo(a), o sorriso dar um ar de beleza as criaturas. O sorriso sincero de uma criança cativa até o mais duro dos corações e transmite a pureza e ingenuidade de uma alma. Existem pessoas que não conseguem oferecer um sorriso, sempre de cara fechada.

É incrível como estão sempre de mal com a vida. Não consegue aproximar-se de ninguém. A vida parece dura e solitária. Por seu estilo de vida, essas pessoas são infelizes, e ainda não descobriram o que um sorriso pode fazer, O SORRISO CONSOLA, CATIVA E CONFORTA.

Deus nos quer ver sempre felizes, façamos sua vontade, sejamos irmãos uns dos outros, usando de bondade e simpatia para com todos, e você verá um mover na sua vida, com um simples gesto de sorrir você poderá mudar o dia, a vida de quem recebe seu sorriso.

Até que de riso te encha a boca, e os teus lábios de júbilo. Jó 8:21

Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o SENHOR a estes. Salmos 126:2

OS VENCEDORES

quarta-feira, 24 de julho de 2019

ALMA VIVENTE

Dois ou três rapazes, numa visita a um museu nacional, leram ao lado de um dos armários, estas palavras: "O corpo de um homem; peso: 70kg". "Onde está o homem?", perguntou um dos rapazes. Ninguém lhe respondeu. No armário, havia jarras de água e outros jarros contendo fosfato de cálcio, carbonato de cálcio, potássio, sódio e outros elementos químicos. O compartimento ao lado continha galões cheios de gases, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.

Estes elementos foram medidos em proporções exatamente iguais às do corpo humano. Depois de pensar sobre isto por algum tempo, o rapaz observou: "Então sou feito disto, sou somente isto, não há mais nada?" "Mais nada", concordou um estranho que sorriu e saiu. Mas o jovem ficou pensativo e seu companheiro lhe disse: "Se somos formados somente de um tanto de cálcio, outro tanto de gases, outro de água, etc., deveríamos ser todos iguais.

Deve haver alguma coisa mais, que não se possa guardar em armários".

"Sim" afirmou o outro, "há o que Deus coloca nesta matéria, o que nos torna uma alma vivente."

terça-feira, 23 de julho de 2019

VIDA... QUAL A SUA ESCOLHA?

"Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (1 João 5:20).

"Deus não pergunta a nenhum homem se deseja a vida. Não é essa a escolha. Você deve recebê-la. A sua escolha é: como viver a vida que Deus lhe deu." (Rev. Henry Ward Beecher)

Deus nos deu uma vida e esta é a primeira bênção que recebemos do Pai celestial. Ele deseja que a vivamos de maneira abundante e feliz, mas, dá-nos a oportunidade de traçar nossos próprios caminhos. Podemos aceitar os Seus ensinos através das Escrituras -- a melhor e mais abençoada maneira de viver, ou ignorar a tudo que nos diz e fazer aquilo que queremos, seja certo ou errado.

Muitas vezes nos queixamos de que não realizamos nossos sonhos, de que a vitória sorri para todos -- menos para nós, de que lutamos, nos esforçamos, procuramos o sucesso e nada conseguimos. Queixamo-nos de Deus e não percebemos que todos os seus ensinos foram ignorados por nós. Murmuramos contra a sorte e não reconhecemos que o Senhor tem mais do que sorte para nos dar -- tem as Suas incomparáveis e incontáveis bênçãos e que só não as recebemos porque caminhamos de costas para Ele.

Quando nossas vidas estão colocadas diante da Vida -- o Senhor Jesus, tudo é diferente, tudo é mais gratificante, tudo é mais aprazível. Só mesmo a Vida sabe como viver bem a vida, só a Vida conhece as veredas que levam à vida plena e abundante, só a Vida pode prometer e garantir a vida eterna.

Se eu escolho viver minha vida na presença do Senhor, desfruto de uma felicidade real. Se eu escolho viver minha vida longe do Senhor, colho os frutos de minha decisão. Preciso saber o que devo escolher e o que devo esperar como resultado de minha escolha.

Eu já escolhi: fiquei com Jesus! E você?

Paulo Barbosa

EXAGERO


segunda-feira, 22 de julho de 2019

MAL ATRAI MAL E BEM ATRAI BEM

Provérbios 13.21: O mal persegue os pecadores; mas os justos são galardoados com o bem.

A Bíblia nos ensina que o pecado nos assedia muito de perto, pois está ligado à nossa natureza terrena.

Fazem bem, portanto, todos os que têm crucificado a carne com suas paixões, mortificando o pecado diariamente, porque este é um mal do qual nunca estaremos perfeitamente livrados, enquanto estivermos neste mundo.

Aqueles que vivem na prática deliberada do pecado, são continuamente perseguidos pelo mal que lhes sobrevém como frutos de suas próprias ações, ou como juízos de Deus. Porém, os que andam na justiça de Cristo e do evangelho são recompensados pelo bem, quer pelo fruto direto de suas ações, quer pelas bênçãos que Deus tem prometido conceder àqueles que procederem retamente. 

Silvio Dutra

DINHEIRO

domingo, 21 de julho de 2019

FAÇA-ME UM FAVOR

Era uma radiosa manhã de primavera. O sol brilhante iluminava as ruas estreitas e pitorescas de Florença, projetando uma profusão de luz no gabinete de trabalho de um dos mais famosos pintores de Toscana, André Verrocchio. Um rapaz muito pálido, curvado sobre seu cavalete, parecia completamente absorvido no trabalho. Sua nobre flauta era envolta por densa nuvem de tristeza.

De repente o jovem pintor foi interrompido. Uma mulher idosa, entrando no aposento, lhe disse com voz cheia de emoção:

- Meu filho, o mestre deseja vê-lo. Vá logo ter com ele.

Imediatamente, Leonardo deixou a palheta e os pincéis, e dirigiu-se
ao quarto do seu venerando mestre, que se encontrava entre a vida e a morte.

- Leonardo, disse-lhe o doente, com voz muito sumida, estou prestes a morrer; quer fazer-me um favor? É o último pedido que lhe faço.
 
O jovem ajoelhou-se junto do leito de seu mestre, tomou entre as suas mãos a mão trêmula que se lhe estendia e respondeu com forte emoção:
 
- Meu mestre, para satisfazer um desejo seu eu irei aonde você quiser e tudo farei; não há sacrifício algum que me pareça grande demais, se eu o fizer pelo amor que tenho a você.
 
O doente fixou os olhos baços, durante algum tempo, nos de seu discípulo e depois disse:
 
-    Leonardo, o trabalho que eu comecei para o altar do claustro de São João, você poderá acabá-lo por mim?
 
Leonardo baixou os olhos e, depois de alguns instantes, disse:
 
- Mestre, não sou capaz, absolutamente não sou capaz! Eu estragarei a sua obra se nela tocar.

Verrochio sorriu e disse com voz calma e nítida:
 
- Não, meu filho, faça o melhor que puder. Trabalha por amor a mim. A pintura precisa de ser acabada e você podes fazê-lo.
 
A tarde descia com suas sombras melancólicas. De uma pobre casebre de Florença começou a subir para o céu a súplica de um coração ardente: "Meu Deus, dizia Leonardo - porque era ele que se encontrava de joelhos - ajuda-me por amor de meu mestre a fazer o melhor que eu puder! Não sou digno dessa obra, bem o sei, mas auxilia-me por amor dele."
 
Passou-se um mês - período de sérias aflições para o jovem artista
 
- Pois ele sentia que a hora da partida de seu mestre se aproximava rapidamente. Afinal concluiu a pintura e apresentou-a ao doente, dizendo:
 
- Eu fiz o que pude, meu mestre, e tudo por amor a você!

Com grande admiração o bom velho, derramando lágrimas, respondeu-lhe, agitado por grande emoção:
 
- Meu filho, meu filho, você triunfou, e muito bem. Não preciso voltar mais ao trabalho e Florença orgulhar-se-á um dia do nome de Leonardo da Vinci! - Respigando

SERÁ UM DESPERDÍCIO


sexta-feira, 19 de julho de 2019

A CADERNETA VERMELHA

"Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá."

Êxodo 20:12

O carteiro estendeu o telegrama.  José Roberto não agradeceu e enquanto abria o envelope, uma profunda ruga sulcou-lhe a testa. Uma expressão mais de surpresa do que de dor tomou-lhe conta do rosto. Palavras breves e incisas:

- Seu pai faleceu. Enterro 18 horas. Mamãe.

José Roberto continuou parado, olhando para o vazio. Nenhuma lágrima lhe veio aos olhos nenhum aperto no coração. Nada! Era como se houvesse morrido um estranho. Por que nada sentia pela morte do velho?

Com um turbilhão de pensamentos confundido-o, avisou a esposa, tomou o ônibus e se foi, vencendo os silenciosos quilômetros de estrada enquanto a cabeça girava a mil.

No íntimo, não queria ir ao funeral e, se estava indo era apenas para que a mãe não ficasse mais amargurada. Ela sabia que pai e filho não se davam bem.

A coisa havia chegado ao final no dia em que, depois de mais uma chuva de acusações, José Roberto havia feito as malas e partido prometendo nunca mais botar os pés naquela casa.

Um emprego razoável, casamento, telefonemas à mãe pelo Natal, Ano Novo ou Páscoa... Ele havia se desligado da família não pensava no pai e a última coisa na vida que desejava na vida era ser parecido com ele.

O velório: Poucas pessoas. A mãe está lá, pálida, gelada, chorosa. Quando reviu o filho, as lágrimas correram silenciosas, foi um abraço de desesperado silêncio. Depois, ele viu o corpo sereno envolto por um lençol de rosas vermelho - como as que o pai gostava de cultivar. José Roberto não verteu uma única lágrima, o coração não pedia. Era como estar diante de um desconhecido, um estranho, um...

O funeral: O sabiá cantando, o sol se pondo. Ele ficou em casa com a mãe até a noite, beijou-a e prometeu que voltaria trazendo netos e esposa para conhecê-la.

Agora, ele poderia voltar à casa, porque aquele que não o amava, não estava mais lá para dar-lhe conselhos ácidos nem para criticá-lo. Na hora da despedida a mãe colocou-lhe algo pequeno e retangular na mão:

- Há mais tempo você poderia ter recebido isto - disse. Mas, infelizmente só depois que ele se foi eu encontrei entre os guardados mais importantes...

Foi um gesto mecânico que, minutos depois de começar a viagem, meteu a não no bolso e sentiu o presente. O foco mortiço da luz do bagageiro revelou uma pequena caderneta de capa vermelha. Abriu-a curioso. Páginas amareladas. Na primeira, no alto, reconheceu a caligrafia firme do pai:

"Nasceu hoje o José Roberto. Quase quatro quilos! O meu primeiro filho, um garotão! Estou orgulhoso de ser o pai daquele que será a minha continuação na Terra!"

À medida que folheava, devorando cada anotação, sentia um aperto na boca do estômago, mistura de dor e perplexidade, pois as imagens do passado ressurgiram firmes e atrevidas como se acabassem de acontecer!

"Hoje, meu filho foi para escola. Está um homenzinho! Quando eu o vi de uniforme, fiquei emocionado e desejei-lhe um futuro cheio de sabedoria. A vida dele será diferente da minha, que não pude estudar por ter sido obrigado a ajudar meu pai. Mas para meu filho desejo o melhor. Não permitirei que a vida o castigue"

Outra página

"Roberto me pediu uma bicicleta, meu salário não dá, mas ele merece porque é estudioso e esforçado. Fiz um empréstimo que espero pagar com horas extras" ·

José Roberto mordeu os lábios. Lembrava-se da sua intolerância, das brigas feitas para ganhar a sonhada bicicleta. Se todos os amigos ricos tinham uma, por que ele também não poderia ter a sua? E quando, no dia do aniversário, a havia recebido, tinha corrido aos braços da mãe sem sequer olhar para o pai.

Ora, o "velho" vivia mal-humorado, queixando-se do cansaço, tinha os olhos sempre vermelhos... e José Roberto detestava aqueles olhos injetados sem jamais haver suspeitado que eram de trabalhar até a meia-noite para pagar a bicicleta... !

"Hoje fui obrigado a levantar a mão contra meu filho! Preferia que ela tivesse sido cortada, mas fui preciso tentar chamá-lo à razão, José Roberto anda em más companhias, tem vergonha da pobreza dos pais e, se não disciplinar amanhã será um marginal. Foi assim que aprendi a ser um homem honrado e esse é o único modo que sei de ensiná-lo" ·

José Roberto fechou os olhos e viu toda a cena quando por causa de uma bebedeira, tinha ido para a cadeia e naquela noite, se o pai não tivesse aparecido para impedi-lo de ir ao baile com os amigos...

Lembrava-se apenas do automóvel retorcido e manchado de sangue que tinha batido contra uma árvore... Parecia ouvir sinos, o choro da cidade inteira enquanto quatro caixões seguiam lugubremente para o cemitério.

As páginas se sucediam com ora curtas, ora longas anotações, cheias das respostas que revelam o quanto, em silêncio e amargura, o pai o havia amado.

O "velho" escrevia de madrugada.

Momento da solidão, num grito de silêncio, porque era desse jeito que ele era, ninguém o havia ensinado a chorar e a dividir suas dores, o mundo esperava que fosse durão para que não o julgassem nem fraco e nem covarde.

E, no entanto, agora José Roberto estava tendo a prova que, debaixo daquela fachada de fortaleza havia um coração tão terno e cheio de amor

A última pagina. Aquela do dia em que ele havia partido:

"Deus, o que fiz de errado para meu filho me odiar tanto? Por que sou considerado culpado, se nada fiz, senão tentar transformá-lo em um homem de bem? Meu Deus, não permita que esta injustiça me atormente para sempre. Que um dia ele possa me compreender e perdoar por eu não ter sabido ser o pai que ele merecia ter".

Depois não havia mais anotações e as folhas em branco davam a ideia de que o pai tinha morrido naquele momento, José Roberto fechou depressa a caderneta, o peito doía.

O coração parecia haver crescido tanto, que lutava para escapar pela boca. Nem viu o ônibus entrar na rodoviária, levantou aflito e saiu quase correndo porque precisava de ar puro para respirar.

Para ele, os pais eram descartáveis e sem valor como as embalagens que são atiradas ao lixo.

Afinal, naqueles dias de pouca reflexão tudo era juventude, saúde, beleza, musica, cor, alegria, despreocupação, vaidade. Não era ele um semideus? Agora, porém, o tempo o havia envelhecido, fatigado e também tornado pai aquele falso herói.

De repente. No jogo da vida, ele era o pai e seus atuais contestadores. Como não havia pensado nisso antes?

Certamente por não ter tempo, pois andava muito ocupado com os negócios, a luta pela sobrevivência, a sede de passar fins de semana longe da cidade grande, à vontade de mergulhar no silêncio sem precisar dialogar com os filhos.

Ele jamais tivera a ideia de comprar uma cadernetinha de capa vermelha para anotar uma a frase sobre seus herdeiros, jamais lhe havia passado pela cabeça escrever que tinha orgulho daqueles que continuam o seu nome.

Justamente ele, que se considerava o mais completo pai da Terra?

Uma onda de vergonha quase o prostrou por terra numa derradeira lição de humildade. Quis gritar, erguer procurando agarrar o velho para sacudi-lo e abraçá-lo, encontrou apenas o vazio.

Havia uma raquítica rosa vermelha num galho no jardim de uma casa, o sol acabava de nascer. Então, José Roberto acariciou as pétalas e lembrou-se da mãozona do pai podando, adubando e cuidando com amor.

Por que nunca tinha percebido tudo aquilo antes? Uma lágrima brotou como o orvalho, e erguendo os olhos para o céu dourado, de repente, sorriu e desabafou-se numa confissão aliviadora:

-"Se Deus me mandasse escolher, eu juro que não queria ter tido outro pai que não fosse você velho! Obrigado por tanto amor, e me perdoe por haver sido tão cego?"