terça-feira, 3 de maio de 2016

O PRAZER DE AJUDAR

Há pouco tempo faleceu na Escócia um velhinho de 78 anos, que durante toda a sua longa vida trabalhou com tapeçaria, lutando sempre com muita dificuldade.

No testamento, deixou à universidade da sua terra, uma das mais antigas e afamadas, a grande quantia de 100 mil reais para garantir a instrução de "jovens que por motivos financeiros, não pudessem seguir curso universitário sem auxílio", como dizia o testamento.

Toda os que souberam disto pensaram como tinha conseguido o pobre trabalhador fazer semelhante doação.

Alguém que o conhecera de perto contou a sua história.

Desde rapazinho, Guilherme Craig teve desejo de saber. . . saber! Sendo, porém, filho de pais paupérrimos, logo que saiu da escola primária teve de aprender um ofício e deixar os estudos. Quando se tornou jovem, ainda tinha esperança de poder estudar e por isso poupava todos os centavos que podia. Mas o tempo se passava e ele sempre a estufar móveis e a colocar cortinados, mal ganhando para não morrer de fome.

Quando Guilherme Craig viu que era de todo impossível alcançar o seu objetivo, resolveu continuar a poupar os seus centavos de maneira que, quando morresse, pudesse deixar alguma coisa com que auxiliar jovens que, como ele, tivessem ânsia de se instruir.

Guilherme Craig nunca se casou. Viveu só, sempre frugal, e renunciando a todo conforto. A sua única recreação eram longos passeios durante os quais estudava a natureza.

Gostava muito de ler, mas não gastava dinheiro em livros. Passava horas na biblioteca pública, curvado sobre os livros. E sempre a trabalhar para o alvo que se propusera: formar um pecúlio para ajudar a jovens e senhoritas que ele não iria conhecer nunca, a se prepararem para a vida, sem que precisassem esmagar no peito o mesmo desejo de saber que ele, pobre trabalhador, nunca tinha podido satisfazer.

E ele venceu. Após a sua morte, em sessão extraordinária, o reitor da Universidade de Aberdeen recebeu dos testamentos o legado de Guilherme Craig, cuja memória os meninos devem honrar, estudando com afinco.

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