sexta-feira, 21 de outubro de 2016

ALEGRIA

As coisas amargas na religião são doces - há uma doçura mesmo em repreensões, quando Deus se encontra com nossas corrupções e nos sussurros que tais e tais coisas são perigosas, e que se as estimarmos elas vão nos levar para o inferno. Não é a Palavra de Deus doce a um cristão que tem seu coração sob sua influência; um doce perdão para um homem condenado; doces riquezas um homem pobre; doce favor para um homem em desgraça, e doce liberdade para um homem em cativeiro? Então, tudo o que vem de Deus é doce a um cristão que tem seu coração tocado com o sentimento de pecado.

A Alegria de um cristão está correta quando procede de princípios, juízo e consciência corretos, não de fantasia e imaginação; quando o julgamento e consciência irão conduzi-lo para fora da retidão. Nossa alegria deve brotar de paz, "sendo justificados pela fé, temos paz com Deus" (Romanos 5.2). Os apóstolos começaram suas Epístolas com misericórdia, graça e paz; misericórdia no perdão, a graça para renovar nossa natureza e a paz de consciência. Estas são coisas para serem glorificadas, a saber, termos os nossos pecados perdoados, ter nossas pessoas aceitas e nossa natureza renovada. Podemos nos consolar na saúde, na riqueza, na esposa, em filhos, em qualquer coisa, porque todos vêm do favor de Deus. Podemos ter alegria nas aflições, porque é uma bênção ter nas piores circunstâncias a continuidade da nossa felicidade eterna. Embora não possamos ter alegria na aflição em si mesma, como sendo contrário à nossa natureza, todavia podemos no resultado; de modo que nos regozijamos corretamente quando, tendo interesse em Deus, nos gloriamos no testemunho de uma boa consciência; quando ao olharmos para o nosso interior, encontramos tudo em paz; quando cada um de nós pode dizer sobre bons fundamentos que Deus é meu, e, portanto, tudo é meu, a vida e a morte e todas as coisas, tanto quanto elas possam servir para o meu bem mais verdadeiro.

As afeições religiosas do povo de Deus são misturadas, pois eles misturam a sua alegria com choro, e seus prantos com alegria; enquanto que num homem carnal são todas simples; se ele se alegra, ele é insensato; se ele está triste (a menos que seja contido) deprime-se e afunda. Mas a graça sempre modera a alegria e tristeza de um cristão, porque ele tem sempre algo para se alegrar e algo para o qual se lamentar. Que pobreza de espírito é estar excitado com alegria ou triste em demasia, quando sabemos que todas as coisas estão desaparecendo e desaparecendo velozmente. Vamos, portanto, ter continuamente presente em nossas mentes que todas as coisas aqui embaixo são subordinadas ao mundo superior.

Por Richard Sibbes, traduzido e adaptado por Silvio Dutra.

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