Durante horas, os familiares das vítimas subiram ao púlpito do tribunal para dar seus depoimentos. Consumidos pela dor e pela revolta, muitos olhavam para o assassino e gritavam palavras de ódio, desejando que ele queimasse no inferno ou sofresse uma morte terrível. Diante de toda aquela fúria e desprezo, Gary Ridgway permanecia completamente imóvel. Seu rosto era frio, cínico e indiferente. Ele parecia uma estátua de pedra, imune ao sofrimento humano.
Foi então que um senhor idoso, de cabelos brancos e suspensórios coloridos, chamado Robert Rule, aproximou-se do microfone. Ele era o pai de Linda Jane Rule, uma jovem de 16 anos que havia sido tirada dele de forma brutal por aquele assassino.
A expectativa era de que mais um grito de revolta ecoasse na sala. Mas Robert Rule respirou fundo, olhou nos olhos do criminoso e disse:
“Senhor Ridgway... há pessoas aqui que odeiam o senhor. Eu não sou uma delas. O senhor tornou muito difícil viver de acordo com aquilo em que acredito, mas o que eu creio é no que Deus diz para fazermos: e isso é perdoar. Deus não nos manda perdoar apenas algumas pessoas; Ele diz para perdoarmos a todos. Portanto, o senhor está perdoado.”
Naquele exato instante, algo inacreditável aconteceu. A armadura do monstro se despedaçou. Pela primeira vez em todo o julgamento, Gary Ridgway piscou repetidamente, seu lábio tremeu e lágrimas pesadas começaram a descer pelo seu rosto. O ódio e as maldições da multidão não haviam conseguido tocá-lo, mas o peso daquele perdão bíblico e imerecido quebrou o seu coração de pedra.

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