quarta-feira, 1 de abril de 2026

UM CORAÇÃO DISPOSTO

Há alguns dias, enquanto caminhava, fui interrompido por um homem que me pediu ajuda. Era um pedido simples: alguns reais. Mas dentro de mim, não foi simples. Meu coração hesitou.

Por um instante, pensei em negar. Pensei nas possibilidades, nas dúvidas, nos receios. Mas, no silêncio daquele momento, a Palavra ecoou — não como imposição, mas como lembrança viva:

“Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado” (Evangelho de Mateus 5:42).

Percebi, então, como é fácil encontrar razões para não obedecer. A mente rapidamente constrói argumentos, levanta suspeitas, protege-se. Mas o amor… o amor não se apoia em garantias. Ele se oferece.

Quantas vezes complicamos aquilo que Deus já simplificou? Amar o próximo não exige certezas — exige disposição.

E se fosse eu?
E se fosse a minha necessidade?
E se fosse o meu clamor ignorado?

Sim, há maldade no mundo. Sim, há quem engane. Mas também há dor verdadeira, fome real e corações invisíveis passando diante de nós todos os dias.

Hoje, minha oração é simples:
Que Deus não permita que o medo endureça o meu coração.
Que eu não perca a sensibilidade diante da necessidade alheia.
E que, quando a oportunidade surgir, eu esteja pronto — não apenas para dar algo, mas para amar.

Porque, no fim, não se trata do valor que entrego…
mas do coração com que respondo.

Fandermiler Freitas

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