O problema com o ressentimento é que, como todos os vícios, gera dependência e desenvolve tolerância. Quem o prova corre o risco de desenvolver o "gosto" pelo amargo ressentimento, pelo rancor e, de alguma maneira, aprecia-o. Se eu entendi bem, na verdade, o antídoto contra o ressentimento não é um, são vários. Vou citar somente três:
Uma lenda diz que um monge e seu discípulo, no caminho para o mosteiro, tinham que atravessar um rio. Na beira, estava uma mulher muito obesa e elegante, que também queria atravessar, mas a água no rio estava muito alta. Então, o monge a colocou em seus ombros e a levou até a outra margem. Enquanto ele a colocava no chão, ela os olhou com desdém e foi embora, sem agradecer. O discípulo ficou furioso. Não disse nada, mas estava enfurecido por dentro. Caminharam vários quilômetros em silêncio e ao chegar ao mosteiro, o discípulo, irritado, virou-se para o monge e disse: "Ela era tão pesada…, e nem sequer agradeceu". O monge riu e disse: "Sim, eu a carreguei, e ela era pesada. Mas eu a deixei no rio, muitos quilômetros atrás. Você ainda a está carregando." O passado é muito pesado, tem extremidades tão afiadas que cada vez que você o toca, suas feridas tornam-se mais profundas. Pare de carregá-lo. Quando você deixar o passado no passado, quando parar de pensar o que seu cônjuge disse, fez ou deixou de fazer e dizer, sua vida irá tornar-se muito mais leve.

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